Mediocridade ativa é uma M** - uma reflexão sobre a influência da mesmice.
- Leandro Matias

- Sep 10, 2024
- 2 min read
Updated: Mar 14, 2025
Em seu documentário "A Vida é um Sopro" (2007), dirigido por Fabiano Maciel, Oscar Niemeyer fez a colocação "Mediocridade ativa é uma merda". Essa afirmação surgiu durante uma reflexão sobre a qualidade e a função da arquitetura e das artes em geral. Niemeyer criticava a falta de criatividade e a tendência das pessoas e profissionais de se conformarem com soluções banais e repetitivas, sem ousadia ou inovação.

Para Niemeyer, a arquitetura deveria ser mais do que uma resposta funcional às demandas econômicas e de mercado — ela precisava emocionar, inspirar e desafiar.
Por trás dessa afirmação aparentemente simples, há uma crítica profunda ao conformismo e à falta de ousadia que permeiam não apenas a arquitetura, mas diversas esferas da sociedade. A "mediocridade ativa" de Niemeyer nos leva a refletir sobre o impacto da estagnação criativa e a necessidade de uma postura mais inovadora, tanto nas artes quanto em outros campos do saber.
A mediocridade, por definição, refere-se a algo que está no meio, que não é nem extraordinário, nem particularmente ruim — é o "suficiente", o "bom o bastante". Niemeyer, no entanto, critica um passo além: a mediocridade que age. Ele não apenas deplora a falta de originalidade, mas sim a proatividade do medíocre que, em vez de buscar o novo, se acomoda em padrões estabelecidos e reproduz o banal de maneira incansável. Nesse sentido, a "mediocridade ativa" é aquela que ocupa espaço, influencia, mas sem trazer inovação, criando um ciclo de repetição e conformismo.
Essa ideia pode ser compreendida em analogia com a teoria crítica de Theodor Adorno e Max Horkheimer, que, em "Dialética do Esclarecimento", discutem a "indústria cultural" como um sistema que promove a estagnação e a homogeneização do pensamento e da produção artística; que impede a criação de algo realmente novo e transformador, levando à perpetuação de ideias simplistas, repetitivas e sem profundidade. Um conceito que também se alinha à ideia de inovação disruptiva de Clayton Christensen, que propõe que grandes transformações ocorrem quando rompemos com o que já existe.
Para Niemeyer, arquitetos e "criadores" têm o dever de desafiar a mediocridade, ousando imaginar formas que transformem o espaço e as emoções. Sua visão é um chamado para que a criatividade seja a força motriz do progresso, rompendo com o conformismo que, segundo ele, estagna a sociedade.
Em última instância, a frase célebre não é apenas uma crítica ao medíocre; à mesmice, mas um convite para pensarmos "fora da caixa". Um chamado para que os "criadores" não aceitem o comum, mas busquem sempre o extraordinário, transformando o mundo de forma original.
Leandro Matias, CEO It Homes
Empresário e consultor, Leandro é administrador de empresas, bacharel em direito, especialista em marketing, técnico em transações imobiliárias e pós-graduando em desenvolvimento urbano estratégico pelo Instituto Cidades Responsivas. Há 18 anos trabalha com comunicação, customer experience e inteligência de mercado para solucionar desafios em percepção de marcas, negócios e produtos imobiliários.






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